Assim Nasceu a DobleChapa (parte 2): “Do glamour de plástico ao caos criativo”

por Pablo Francischelli

O tapete vermelho não estava estendido para nós. Pisávamos diretamente no chão gelado do glamour de plástico daquela Gramado cenográfica. Meros operários do audiovisual brasileiro tentando decifrar as diferenças entre o lixo e o luxo.

Foi mais ou menos nessa azáfama zoo-global que aconteceu a retomada de uma ainda fria relação com Caio Jobim. Por coincidência, estávamos ambos ali à serviço de canais de televisão: ele cobrindo o evento pelo Canal Brasil, eu pela MTV. Foi assim – perdidos entre Lima Duartes, José Wilkers, Betty Farias e Toni Ramos – que, pela primeira vez, comentei com ele a minha vontade de tentar a vida no Rio de Janeiro. Caio já morava no Rio há tempos e botou a pilha. Plim-plim..

Eram meados de agosto de 2003, e o clima febril do Oscar tupiniquim acelerava o relógio da loucura. O Festival de Gramado chegava ao fim, enquanto todos ali recebiam seus prêmios, cada um à sua medida. O nosso começaria a ser esculpido um pouco mais adiante, em novembro daquele mesmo ano, quando iniciamos a troca dos primeiros emails e das primeiras ideias de conceber um projeto musical juntos:

“..e aí Pablo,
idéias são sempre bem vindas, temos que pensar alguma idéia específica. Tenho muita vontade de fazer alguma coisa sobre música. Já pensei algumas coisas, mas nunca cheguei a definir um tema…Vamos mantendo contato para pensar alguma coisa para fazer em conjunto. Gosto da idéia, vou pensando por aqui, agora que estarei livre por um tempo. Se vier ao Rio, me procura.
abraço, Caio.” (05/11/2003)

Mais de um ano passara-se desde então, até um avião da extinta BRA pousar no aeroporto do Galeão e um recém-formado jornalista da UFRGS carregar seu mochilão até o bairro do Catete, à procura de um albergue que colcoasse sua ansiedade pra dormir. Era o dia 11 de março de 2005, e o calor de mais de quarenta graus botava pra cozinhar uma nova etapa da pré-história da DobleChapa, cujo sabor o destino insistiria em degustar um pouco mais à frente.

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