A história dos balés – parte 1

por Caio Jobim

Nossa historia com Siba começa em meados de 2009, quando realizávamos a primeira temporada do Pelas Tabelas. Doze dos treze programas estavam gravados, já havíamos trocado as externas pela ilha de edição, mas faltava um episódio para fechar a grade. Siba era uma ausência sentida. O formato da Fuloresta, um conjunto com sete integrantes no qual ele não tocava nenhum instrumento, dificultava um convite. Foi quando soubemos que ele estava lançando “Violas de Bronze”, disco em parceria com Roberto Corrêa. Apenas os dois revezando-se entre voz, violas e rabecas. Antes mesmo de ouvi-lo, decidimos: está aí a dupla que faltara até então.

Feito o convite e muitas audições do disco depois, conseguimos trazê-los ao Rio e no alto de Santa Tereza recebemos Siba para a gravação. Contadas todas as histórias, desenhando um mapa detalhado de toda sua trajetória artística, foi irresistível formular uma pergunta sobre o futuro. Depois de retornar às cordas através da viola nordestina (ou dinâmica) e por meio dela também à cantoria, qual seria o passo a seguir uma vez que todas as suas influências até aquele instante pareciam ter sido exploradas? No contexto do Pelas Tabelas aquele era um questionamento irrelevante. A resposta jamais entraria na edição do programa. Tratava-se muito mais de uma curiosidade pessoal que eu e Pablo compartilhávamos na condição de fãs e admiradores de longa data.

Haveria, porém, um sentido ali, fruto de uma vontade ainda inconsciente àquela altura de levar adiante essa empreitada a que temos nos dedicado desde então – a de fazer um registro documental do estado atual da música brasileira.

Quando voltamos ao material bruto do Pelas Tabelas há poucos meses, já durante a edição do documentário, lá estava a resposta de Siba, um tanto confusa e inconclusiva. A única pista clara sobre suas ideias para o futuro era que os instrumentos de corda, na ocasião ainda a mesma viola dinâmica que ele usara na gravação de “Violas de Bronze”, estariam no cerne da criação.

Três anos depois aquela pergunta fez todo o sentido. E agora, ciclos que correram em paralelo por um bom tempo, e em alguma parte do caminho se cruzaram, estão confluindo “Nos balés da tormenta”. Nossa história com Siba começou no momento em que ele tateava no escuro as primeiras ideias que resultariam em “Avante”.

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